Bispo haitiano preocupado com proteção de imigrantes nos EUA
04 de setembro de 2026, sexta
O Bispo Pierre-André Dumas, de Anse-à-Veau-Miragoâne, expressa sua preocupação com os imigrantes haitianos nos EUA, após o encerramento do Status de Proteção Temporária (TPS) para eles. O TPS é uma medida destinada a acolher e proteger pessoas provenientes de países onde guerras, desastres naturais e graves crises humanitárias tornam impossível o retorno seguro.
Enquanto essas crises persistem, os imigrantes podem permanecer legalmente nos Estados Unidos, obter autorizações de trabalho e evitar a deportação forçada.
Agora, a Suprema Corte e um tribunal federal em Washington, D.C. — a primeira em junho e o segundo em agosto deste ano — aprovaram o cancelamento da medida, tornando a ameaça de deportação cada vez mais real para os 331 mil haitianos beneficiários do TPS.
O depoimento de Emma
“Como assim, somos criminosos?” Emma vem se fazendo essa pergunta desde que o governo dos Estados Unidos encerrou o Status de Proteção Temporária (TPS) para imigrantes haitianos.Emma é um pseudônimo usado para proteger sua identidade e permitir que ela relate ao Vatican News a situação que está vivenciando. Ela explicou que a vigilância e as prisões de muitos haitianos por agentes do ICE — a agência federal responsável pela aplicação das leis de imigração dos EUA — são vistas por toda a sua comunidade como uma “caçada cruel”, pois “esses agentes chegam a exibir com orgulho pessoas algemadas, como se fossem presas”.
Documentos confidenciais, analisados ??e divulgados por diversos veículos de imprensa internacionais, revelaram que o governo dos EUA se prepara para aumentar a frequência de voos de deportação para o Haiti, passando de um por mês para dois por semana. O objetivo é repatriar o maior número possível de imigrantes haitianos em um curto período.
Um desejo de estabilidade
Emma chegou a Miami há vários anos. Hoje, ela tem quatro filhos, todos nascidos nos Estados Unidos e cidadãos americanos. Ela conseguiu um bom emprego depois de deixar para trás seu país devastado e de abandonar tudo para recomeçar do zero.“Vocês vieram nos buscar em nossa terra natal porque precisavam que trabalhássemos de acordo com suas necessidades e, no fim, nos vemos usando uma tornozeleira eletrônica, como se fôssemos criminosos comuns”, disse ela.
“Deixamos nossa nação, nascida da luta pela liberdade, simplesmente porque víamos os Estados Unidos como uma terra de oportunidades.”
