Na íntegra: Pregação de Papa Francisco sobre o Advento - Blog notícias Cantar a Missa

Data: 25 de setembro de 2024

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  • Entrada Entrada Deus caminha ao nosso encontro: esse é o sentido da procissão de entrada. Em diversas passagens bíblicas vemos o povo de Deus caminhar, seja em busca da terra prometida, seja em busca de libertação. Ora a caminho de Jerusalém, ora ao encontro de Jesus. É por isso, que na pessoa do sacerdote, aclamamos a Cristo que vem ao nosso encontro, com toda a sua majestade, seu poder e autoridade, para celebrarmos juntos os Mistérios do sacrifício da Missa. O canto de abertura (ou de entrada) está inserido nos ritos iniciais e cumpre o papel de criar comunhão. (IGMR 48) Uma de suas funções é a de acompanhar a procissão do sacerdote e não para acolher ou receber o sacerdote, pois é este quem acolhe a todos os presentes na assembleia para participarem do grande sacrifício da Santa Missa. Toda a assembleia reunida canta a alegria festiva de reunir-se com os irmãos. Seu mérito é o de convocar a assembleia e, pela fusão de vozes, juntar os corações ao encontro com do Cristo ressuscitado. Este canto tem que deixar a assembleia num estado de ânimo apropriado para a escuta da palavra de Deus, além de deixar claro que festa ou Mistério do tempo litúrgico irá ser celebrado. Todo o povo deve estar envolvido na execução desta canção. Este canto não deve ser longo e deve terminar quando o sacerdote chegar ao altar (ou quando terminar o rito de incensação do altar). Conforme diz Santo Agostinho: “Canta e caminha!” Finalidade: constituir e congregar a assembleia, introduzindo-a no mistério a ser celebrado – tempo litúrgico, sonorizar o caráter festivo da celebração, fomentar a união dos fiéis, dar o tom da celebração. O Missal Romano diz: “... seja adequado à ação sagrada ou à índole do dia ou do tempo litúrgico”, elevando seus pensamentos à contemplação do mistério litúrgico. A finalidade desse canto é Abrir a celebração, promover a união da assembléia, introduzir os fieis no Mistério do tempo litúrgico ou da festa, acompanhar a procissão do sacerdote e dos ministros, deve terminar quando o padre chegar ao altar. Se houver uso de incenso, prossegue até que o altar seja incensado. Entrada
  • Ato Penitencial Ato Penitencial Senhor, tende piedade ou Kyrie eleison - é uma aclamação suplicante endereçada a Cristo, o Senhor, louvando-O e à sua misericórdia. Pertence aos cantos rituais, constituindo o próprio rito da celebração (Ordinário da Missa) Significado Litúrgico - O ato penitencial, também conhecido na liturgia antiga como Kyrie eleison, pode ser comparado a um capacho posto à entrada de um recinto. Assim como limpamos a sujeira da sola do calçado, semelhantemente, no ato penitencial, recebemos o perdão de todos os pecados veniais: a impureza adquirida no dia-a-dia, que nos torna indignos de participar do banquete da eucaristia. Os pecados mortais exigem o sacramento da confissão. Este canto é o próprio rito de ato penitencial e deve ser cantado integralmente, devendo obrigatoriamente conter as frases: SENHOR PIEDADE (ou Kyrie eleison) e CRISTO PIEDADE (ou Christe eleison). Caso contrário, o canto estará liturgicamente errado. Dicas práticas: Liturgicamente correto é: 1. Rezar o “Confesso a Deus Todo Poderoso e a vós irmãos...”; 2. Após a absolvição dos pecados (Deus Todo Poderoso tenha compaixão...) o ministério cantar o “Senhor, tende piedade de nós; Cristo, tende piedade de nós; Senhor, tende piedade de nós”; 3. Logo em seguida, sem nenhuma introdução nem por parte do presidente da celebração, nem por parte do comentarista ou ministério de música, os cantores iniciam o hino do glória. Este canto é o próprio rito de ato penitencial e deve ser cantado integralmente, devendo obrigatoriamente conter as frases: SENHOR PIEDADE (ou Kyrie eleison) e CRISTO PIEDADE (ou Christe eleison). Caso contrário, o canto estará liturgicamente errado. No domingo de Ramos pode ser substituído pela procissão. Na Quarta feira de Cinzas é substituído pela imposição das cinzas ou pode também ser substituído pela benção e aspersão da água. Toda a assembleia de pé. Todos são convidados pelo sacerdote a reverem suas faltas, permanecendo-se em silêncio por um tempo. Ato Penitencial
  • <span>Hino de Louvor - </span>Glória Hino de Louvor - Glória Significado Litúrgico - O hino de louvor, ou glória, expressa o louvor de toda a criatura ao Criador, do homem remido ao Salvador e do homem imperfeito ao Consolador, relembrando os pontos principais de todo o mistério de nossa salvação em Jesus Cristo. Este canto deve fazer o verdadeiro louvor, assim como disse São Paulo, o louvor que glorifica Deus pelo que ELE É e não pelo que Ele faz. Este canto é o próprio rito de hino de louvor e deve ser cantado integralmente. Por isso, para este canto ser considerado corretamente como hino de louvor, este deve obrigatoriamente conter toda a oração do hino de louvor: “Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens por Ele amados. Senhor Deus, Rei dos céus, Deus Pai Todo-Poderoso nós Vos louvamos, nós Vos bendizemos, nós Vos adoramos, nós Vos glorificamos, nós Vos damos graças por Vossa imensa glória. Senhor Jesus Cristo, Filho Unigênito, Senhor Deus, Cordeiro de Deus, Filho de Deus Pai, Vós que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós, Vós que tirais os pecados do mundo, acolhei a nossa súplica, Vós, que estais à direita de Deus Pai, tende piedade de nós, só Vós sois o Santo, só Vós o Senhor, só Vós o Altíssimo Jesus Cristo, com o Espírito Santo, na glória de Deus Pai. Amém”. É falsa, portanto, a idéia de que apenas basta ter as invocações de “Glória ao Pai, Glória ao Filho e Glória ao Espírito Santo”, para que um canto seja verdadeiro hino de louvor. Com isso, podemos constatar que é um ERRO LITÚRGICO bastante comum em inúmeras paróquias e em inúmeros grupos de canto, a substituição da recitação do hino de louvor por cantos que não o contenham integralmente. Obs: Durante o tempo da quaresma e do advento não se canta o hino de louvor, pois são tempos litúrgicos de penitência e de contrição, não de festa. É o hino antiquíssimo (século II) pelo qual a Igreja congregada no Espírito Santo, glorifica a Deus Pai e ao Cordeiro. É um louvor as três pessoas da Santíssima Trindade, cantado ou recitado nas Missas dominicais, solenidades ou nas festas dos santos. No tempo do Advento e Quaresma não se reza nem se canta o Glória. Também não se diz nos dias de semana porque perderia o sentido solene. Hino de Louvor - Glória
  • Aclamação<span> ao Evangelho</span> Aclamação ao Evangelho Como o Evangelho é o próprio Cristo que fala, devemos estar de pé, na posição de quem ouve o recado para ir anunciar as palavras de salvação. Este canto é o próprio rito de aclamação ao Evangelho e deve ser cantado integralmente. Para que um determinado canto possa ser considerado como canto de aclamação ao Evangelho, este deve, obrigatoriamente, conter a palavra “aleluia!”. Em todos os tempos do ano litúrgico, exceto no Advento e Quaresma, esta aclamação é constituída pelo Aleluia seguido do versículo que vem indicado no próprio Lecionário. Dicas Práticas: 1. Deve-se sustentar o canto se tiver a procissão do Evangeliário do Altar até o ambão. Obs: Na Liturgia da Missa somente existe duas procissões do Evangeliário: o sacerdote (o diácono ou o leitor instituído) entra com o Livro Santo na procissão de entrada da Missa e no momento da proclamação do Evangelho. É estranho a Liturgia uma procissão de Bíblia ou do próprio lecionário, após a oração da coleta da missa. Se vai fazer procissão da Palavra de Deus, observe-se as normas litúrgicas. Não existem dançarinas, teatrinhos e bailes para entrada ou acompanhamento da Palavra de Deus no rito da Missa. Em um encontro pode-se fazer, mas NÃO NO RITO DA MISSA. 2. No tempo da Quaresma é proibido o uso do “aleluia” e o “glória” (exceto nas solenidades que o calendário litúrgico traz em suas datas fixas). 3. No tempo do Advento se aconselha a não contar o aleluia. Esta aclamação constitui um rito ou ação por si mesma, através da qual a assembleia dos fieis acolhe o Senhor que lhe vai falar no Evangelho, saúda-o e professa sua fé pelo canto. Para que um determinado canto possa ser considerado como canto de aclamação ao evangelho, este deve obrigatoriamente conter a palavra ALELUIA, que significa alegria,exceto no tempo da quaresma onde este aleluia é vetado, em virtude do forte tempo de penitência e contrição. No Tempo da Quaresma, no lugar do Aleluia, canta-se o versículo antes do Evangelho proposto no lecionário. Aclamação ao Evangelho
  • <span>Apresentação das </span>Oferendas Apresentação das Oferendas O canto deve acompanhar o rito da apresentação dos dons, ou seja, a procissão das oferendas. Em missas onde houver a incensação, a música pode ser estendida até o término deste rito. Este é um canto facultativo e pode ser executado de forma totalmente instrumental ou cantado somente pelo grupo de sustentação, ou ainda omitido (silêncio). Neste caso, observa-se a oração proferida pelo presidente da celebração: “Bendito sejais, Senhor, Deus do universo, pelo pão que recebemos e vossa bondade, fruto da terra e do trabalho humano, que agora vos apresentamos, e que para nós se vai tornar o pão da vida.“ O término deste canto não precisa coincidir como fim da apresentação das oferendas, mas pode ser cantado inteiramente, devendo ser encerrado, no máximo, quando o sacerdote termina de oferecer o pão e o vinho e purifica as mãos. Para que um canto seja considerado como de apresentação das ofertas, este deve conter as palavras PÃO E VINHO ou deixar implícito que as ofertas que realmente importam são o pão e o vinho, onde os dons são apresentados diante do Altar do Senhor. Dicas Práticas: 1. O Canto de Apresentação das Oferendas pode ser substituído por uma música instrumental; 2. O sentido do canto tem de ser o de um Louvor de apresentação, diante do altar do Senhor, dos Dons que recebemos, os frutos do nosso trabalho, a nossa família e amigos, a vida, ou seja, tudo aquilo que podemos e devemos colocar diante do Senhor como forma de agradecimento e com confiança, de que tal como o Pão e o Vinho que são apresentados, mais tarde se tornam o Corpo e o Sangue de Cristo, nossas vidas colocadas diante do altar, estão sendo entregues ao Senhor confiantes de que podem ser transformadas. 3. Não é obrigatório que contenha as palavras: pão, vinho e ofertório, porém devemos ter cuidado, para que o não uso dessas três palavras, levem a música ficar subtendida quanto ao real sentido desse momento. Este canto acompanha o rito da apresentação das ofertas e, por isso, deve ser encerrado quando sacerdote termina de oferecer os dons a Deus e lava as mãos. Nas missas solenes, quando há o uso de incenso, o canto deve se estender até o momento após a incensação da assembléia, corpo místico de Cristo. Conforme doc.79-319 CNBB: "o texto deste canto não precisa falar, necessariamente, de pão e de vinho nem de ofertório ou oblação, mas pode expressar o louvor e a referência ao tempo litúrgico. Na tradição do Canto Litúrgico no Brasil, desde a introdução do vernáculo, o“Canto de Apresentação das Oferendas” chegou a tornar-se um momento em que o povo deseja expressar sua disposição de querer oferecer sua vida, sua luta e trabalho ao Senhor, o que parece ter um alto valor existencial e espiritual"; Apresentação das Oferendas
  • Santo Santo Para concluir o prefácio da Oração Eucarística o povo aclama o Senhor com as palavras que o profeta Isaías ouviu os serafins cantarem no templo, em sua visão (Is 6,3). O “Santo” é um dos três principais cantos fixos da Missa. Nele, toda a assembléia se une aos anjos e santos, para proclamarem as maravilhas do Deus Uno e trino. É o canto dos anjos (Is 6,2-3) e também dos homens (Lc 19,38). Este canto pertence, então, a comunidade toda e não teria sentido convidar os céus e a terra, os anjos e santos para cantarem a uma só voz, e, depois, somente um coral ou um solista executar o canto sozinho. O “Santo” é o próprio rito da aclamação e deve ser cantado integralmente. Porque a Igreja se preocupa para que este hino não seja adulterado? Por causa de seu valor histórico, tais como o “Senhor, tendo piedade de nós. Cristo tende...; Glória a Deus nas alturas...; e o Cordeiro de Deus. Dados históricos: Tem sua origem no Oriente, século II. O texto bíblico: um manto de retalhos, uma compilação de textos bíblicos – As duas primeiras aclamações, tiradas de Isaías, de sua visão dos anjos prostrados diante do altar... “Toda a terra está cheia de sua glória” Hosana. do hebraico Hosiah-na= dá a salvação, do salmo 118,25 – “Senhor, dai-nos a salvação!” Nas alturas = Deus que habita os altos céus... Bendito o que vem: Sl 118,26, que a tradição transformou numa aclamação messiânica: “Bendito O que vem em nome do Senhor!”, festejando e aclamando o Senhor, quando de sua entrada em Jerusalém. (Mt 21, 9). Portanto, o clima bíblico do Santo é de celebração gloriosa: teofania (manifestação de Deus), deve produzir expressão exuberante de alegria, aclamação jubilosa, unânime e solene com que se conclui o prefácio (que inicia a oração eucarística, e devia ser cantado).O santo, como o salmo e o Amém doxológico, é o principal dos cantos principais da missa. É a primeira aclamação da assembleia na prece eucarística, e como hino-aclamação. Segundo o Apocalipse, o Sanctus é a aclamação da liturgia celeste. A assembléia deveria ficar à vontade e alegre, ao cantar esse louvor solene, sentindo-se intérprete fundamental desta aclamação, a primeira e mais importante a ser cantada pela comunidade. A melhor forma de cantar o Santo é a forma direta. Não deve ser substituído por “versões tão livres que não correspondam à doxologia bíblica.” Dicas Práticas: 1. Para que um canto do “Santo” seja considerado litúrgico, ele deve conter, obrigatoriamente, todas as palavras da oração recitada. Ou seja: “Santo, Santo, Santo; Senhor Deus do universo. O céu e a terra proclamam a vossa glória; Hosana das alturas. Bendito o que vem em nome do Senhor; Hosana nas alturas”. O recomendável mesmo é que o canto se atenha à esta aclamação bíblica, sem introduzir alterações no texto original. 2. Está proibido o uso de determinados hinos que devem ser evitados pelos ministérios, tais como: a) Santo, santo, santo; dizem todos os anjos... céus e terras passarão... b) Deus é santo, Deus é amor... c) Santo três vezes santo, mil vezes santos... d) O Senhor é santo, ele está aqui, o Senhor é santo, eu posso sentir... etc. 3. No momento da narração da instituição da Eucaristia, está proibido a execução de hinos, instrumentais ou o canto da narração da instituição por parte do presidente da celebração. Este canto é o próprio rito de aclamação do Santo e deve ser cantado integralmente. Por isso, para que um canto seja considerado canto de santo, ele deve obrigatoriamente conter todas as palavras da oração recitada, ou seja: Santo, Santo, Santo (3 vezes santo) + Bendito o que vem em nome do Senhor + Hosana nas alturas. Santo
  • Abraço da paz Abraço da paz A “saudação da paz”, antes da Oração do Pai-Nosso, está liturgicamente prescrita e por ser um gesto simbólico, deve ser dada com sobriedade aos que estão mais próximos, do lado, preferencialmente, sem sair do lugar. A Instrução Geral do Missal Romano diz que o sacerdote deve permanecer no presbitério, podendo saudar o ministro ou alguém na assembleia, mas permanecendo no âmbito do presbitério. A saudação é prescrita, mas o canto não, e entre cantar ou não, melhor que não se cante para valorizar o gesto (IGMR 82), não causar dispersão na assembleia e, também, não abafar o canto do “Cordeiro de Deus”, já que este tem a preferência durante o rito de “Fração do Pão”. Abaixo segue resumo de carta circular publicada em 08 de junho de 2014 por decisão do papa Francisco: c) De todos os modos, será necessário que no momento de dar-se a paz se evitem alguns abusos tais como: - A introdução de um "canto para a paz", inexistente no Rito romano [9]. - Os deslocamentos dos fiéis para trocar a paz. - Que o sacerdote abandone o altar para dar a paz a alguns fiéis. - Que em algumas circunstâncias, como a solenidade de Páscoa ou de Natal, ou Confirmação, o Matrimônio, as sagradas Ordens, as Profissões religiosas ou as Exequias, o dar-se a paz seja ocasião para felicitar ou expressar condolências entre os presentes. É considerado por alguns como inapropriado para antes da comunhão, pois dispersa o povo e desvia o clima de oração para o rito seguinte, sendo por eles colocados em outros momentos na liturgia da missa (após a bênção final, ou após o ato penitencial, ou após a apresentação das ofertas...). Mas a saudação da paz após a oração do pai-nosso está liturgicamente prescrita e fica a critério de cada costume local, como também de cada rito católico aprovado pela Sé Romana (melquita, maronita...). Abraço da paz
  • Comunhão Comunhão O “Canto de Comunhão” é o canto mais antigo da Missa. Historicamente falando, era um canto idêntico aos salmos, contendo as estrofes com um refrão repetitivo. Por ele, através da procissão e da união das vozes, expressamos nossa união espiritual em torno de Jesus. Todos ao redor da mesma mesa, congregados numa mesma Igreja, participamos do mesmo Pão do Céu. E esta é realmente a função do canto de comunhão: fomentar o sentido de unidade. Desta forma, ele manifesta a alegria da unidade do Corpo de Cristo, que é a Igreja, e alegria pela realização do Mistério que está sendo celebrado. Os hinos eucarísticos usados na adoração ao Santíssimo Sacramento não são apropriados para o momento de comunhão, pois eles destacam apenas a fé na Presença Real de Cristo na Eucaristia, mas não manifestam o sentido de unidade da participação em comum. A letra deste canto não deve ser individualista, ou seja, manifestar a comunhão apenas daquele que comunga, mas sim coletiva, isto é, deve provocar na assembleia uma sensação de que todos comungam ao mesmo tempo. Este canto acompanha o rito da comunhão e deve terminar quando a última pessoa comungar. Em certas oportunidades, este canto deve favorecer o acolhimento, para evitar um comungar puramente rotineiro e inconsciente. Os hinos eucarísticos podem ficar como uma segunda opção (canto de ação de graças), após todos comungarem. Lembramos que equipe de música deve proporcionar o silêncio eucarístico necessário ao encontro e oração pessoal que se dará, mais oportunamente, no momento seguinte. Dicas Práticas: - Deve obrigatoriamente falar sobre a comunhão, ou sobre o corpo e sangue de Cristo, ou sobre o pão da vida, pão do céu, ou qualquer outra palavra que faça alusão ao mistério da Eucaristia. - Musica: Contemplativa. Enquanto o sacerdote e os fieis recebem o Sacramento entoa-se o canto da Comunhão, que exprime, pela unidade das vozes, a união espiritual dos comungantes, demonstra a alegria dos corações e torna mais fraternal a procissão dos que vão receber o Corpo de Cristo. Deve obrigatoriamente falar sobre a comunhão, ou sobre o corpo e sangue de Cristo, ou sobre o pão da vida, pão do céu, ou qualquer outra palavra que faça alusão à mistério da eucaristia. Este canto acompanha o rito da comunhão. Portanto, começa quando sacerdote comunga e termina quando a última pessoa comungar. Comunhão
  • Final Final A reforma litúrgica realizada pelo Concílio Vaticano II propôs, como última fórmula da celebração litúrgica, o “Ide em paz”. Um canto “final” após este momento seria lógica-incorreta, pois a assembleia está dispensada. O que temos, na verdade, é um canto de despedida. Este canto de despedida, executado durante a saída do povo, parecer oportuno ser, por exemplo, um hino missionário ou um hino direcionado ao padroeiro, ou em honra a Mãe do Senhor em algumas de suas comemorações. Este pode ser substituído por uma música instrumental, se parecer oportuno. Final
  • Cordeiro de Deus Cordeiro de Deus Esta música deve iniciar-se no exato momento em que o presidente faz a fração das espécias eucarísticas. Quem inicia este rito não é quem preside, mas o grupo de sustentação. Caso ele não seja cantado, o mesmo deve ser proferido pelo animador ou ainda pelos cantores. A melodia deve ser suave, de forma piedosa. A letra deve ser fiel ao missal: “Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós…“ Este canto é o próprio rito de aclamação à Fração do Pão e deve ser cantado integralmente, devendo ser iniciado justamente no instante em que o sacerdote toma nas mãos o corpo de Cristo, fraciona-o e põe um fragmento dentro do cálice. É pois importante que o grupo de canto esteja atento a este momento. Por isso, para que um canto seja considerado canto de Cordeiro de Deus, ele deve obrigatoriamente conter as palavras: Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós ... Dai-nos a paz. Cordeiro de Deus

Na íntegra: Pregação de Papa Francisco sobre o Advento

05 de dezembro de 2014, sexta Na íntegra: Pregação de Papa Francisco sobre o Advento

\"EU VOS DOU A MINHA PAZ” (Jo 14,27)

A paz como dom de Deus em Jesus Cristo

1. Estamos em paz com Deus!

Se pudéssemos ouvir o grito mais forte que existe no coração de bilhões de pessoas, ouviríamos, em todas as línguas do mundo, uma única palavra: paz! A dolorosa atualidade deste tema, junto com a necessidade de se devolver à palavra “paz” a riqueza e a profundidade de significado de que ela se reveste na Bíblia, me levou a dedicar a este tema as meditações de Advento deste ano. Ela nos ajudará, espero eu, a escutar com ouvidos novos o anúncio natalino, “Paz na terra aos homens que Deus ama”, e a começar a viver em nosso interior a mensagem que a Igreja, todos os anos, apresenta ao mundo na jornada mundial da paz.

Comecemos ouvindo o anúncio fundamental da paz. São palavras de Paulo na Carta aos Romanos:

“Justificados, pois, pela fé, estamos em paz com Deus por meio de Jesus Cristo, nosso Senhor, mediante o qual também tivemos, pela fé, o acesso a esta graça em que estamos firmes; e nos gloriamos na esperança da glória de Deus (Rm 5, 1-2).

Eu ainda me lembro do que aconteceu no dia em que acabou, para a Itália, a segunda guerra mundial. Os gritos de “Armistício! Paz!” ribombaram da cidade ao campo, de casa em casa. Era o fim de um pesadelo: basta de terror, basta de bombardeios, basta de fome. Parecia que finalmente se voltava a viver. Algo assim deve ter sido provocado, no coração dos leitores, por aquele anúncio do Apóstolo: “Nós estamos em paz com Deus! Foi selada a paz! Uma era nova começou para a humanidade na sua relação com Deus!”. A época deles já foi definida como “de angústia”[1]. Os homens daquele tempo tinham a impressão (nada infundada, aliás) de que uma condenação pesava sobre a sua cabeça; Paulo a chamava de “cólera de Deus que se revela do céu contra toda impiedade” (Rom 1, 18). Daí os ritos e cultos esotéricos de propiciação que pululavam na sociedade pagã daquele tempo.

Quando falamos de paz, somos levados a pensar quase sempre numa paz horizontal: entre os povos, entre as raças, entre as classes sociais, entre as religiões. A palavra de Deus nos ensina que a paz primeira e mais essencial é a vertical, entre o céu e a terra, entre Deus e a humanidade. Dela dependem todas as outras formas de paz. Isto nós vemos no próprio relato da criação. Enquanto Adão e Eva estão em paz com Deus, há paz dentro de cada um deles, entre a carne e o espírito (estavam nus e não se envergonhavam), há paz entre o homem e a mulher (“carne da minha carne”), entre o ser humano e o resto da criação. Tão logo eles se rebelam contra Deus, tudo se transforma em luta: a carne contra o espírito (eles se dão conta de estarem nus), o homem contra a mulher (“a mulher me seduziu”), a natureza contra o homem, o irmão contra o irmão, Caim contra Abel.

Por este motivo, pensei em dedicar esta primeira meditação à paz como dom de Deus em Cristo Jesus. Na segunda meditação, falaremos da paz como tarefa pela qual trabalhar e, na terceira, da paz como fruto do Espírito, ou seja, da paz interior da alma. São os três âmbitos da paz evocados num hino da liturgia das horas: “Paz entre céu e terra, paz entre todos os povos, paz em nossos corações”[2].

 

2.  A paz de Deus, prometida e dada

O anúncio de Paulo, recém-ouvido, pressupõe o acontecimento de algo que mudou o destino da humanidade. Se agora estamos em paz com Deus, isto quer dizer que antes não estávamos; se agora “não há mais nenhuma condenação” (Rm 8,1), quer dizer que antes havia uma condenação. Vejamos o que foi que provocou uma mudança tão decisiva na relação entre o homem e Deus.

Diante da rebelião do homem – o pecado original – Deus não abandona a humanidade ao seu azar, mas decide um novo plano para reconciliá-la consigo. Uma comparação trivial, mas útil para entendermos, pode ser feita com os chamados sistemas de navegação por satélite, instalados hoje nos carros. Se em algum momento o motorista não segue a indicação do navegador, fazendo uma conversão à esquerda, por exemplo, em vez de à direita, o navegador em poucos instantes lhe traça uma nova rota, a partir da posição em que ele está localizado, para chegar ao destino desejado. Foi isto o que Deus fez em relação ao homem, decidindo, depois do pecado, o seu plano de redenção.

A longa preparação começa com as alianças bíblicas. Elas são, por assim dizer, “acordos de paz separados”. Primeiro com indivíduos: Noé, Abraão, Jacó; depois, por meio de Moisés, com todo Israel, que se torna o povo da aliança. Essas alianças, ao contrário das humanas, são sempre alianças de paz, nunca de guerra contra inimigos.

Mas Deus é Deus de toda a humanidade: “Acaso Deus é Deus somente dos judeus? Não é Deus também dos gentios?”, exclama São Paulo (Rm 3, 29). Estas alianças antigas eram temporárias, destinadas a ser prorrogadas um dia para todo o gênero humano. De fato, os profetas começaram a falar cada vez mais claramente de uma “aliança nova e eterna”, de uma “aliança de paz” (Ez 37, 26), que, a partir de Sião e de Jerusalém, se estenderá a todos os povos (cf. Is 2, 2-5).

Esta paz universal é apresentada como um retorno à paz inicial do Éden, com imagens e símbolos que a tradição judaica interpreta em sentido literal e a cristã em sentido espiritual:

“De suas espadas forjarão relhas de arados, e de suas lanças, foices. Uma nação não levantará a espada contra outra, e não se arrastarão mais para a guerra” (Is 2,4). “O lobo habitará com o cordeiro, a pantera se deitará junto ao cabrito; o bezerro e o leãozinho pastarão juntos e um menino pequeno os guiará” (Is 11, 6-7).

O Novo Testamento vê realizadas todas essas profecias com a vinda de Jesus. Seu nascimento é revelado aos pastores com o anúncio: “Paz na terra aos homens que Deus ama!” (Lc 2, 14). O próprio Jesus diz que veio ao mundo para trazer a paz de Deus: “Eu vos deixo a paz; eu vos dou a minha paz” (Jo 14, 27). Na noite de Páscoa, no cenáculo, sabe-se lá com que divinas vibrações, sai da sua boca de ressuscitado a palavra “shalom!”, “a paz esteja convosco!”. Como no anúncio dos anjos no Natal, este não é apenas um cumprimento ou um augúrio, mas algo real, algo que é transmitido. Todo o conteúdo da redenção estava contido naquela palavra.

A Igreja apostólica nunca se cansa de proclamar o cumprimento, em Cristo, de todas as promessas de paz feitas por Deus. Falando do Messias que nasceria em Belém da Judeia, o profeta Miqueias tinha predito: “Ele será a nossa paz!” (Mi 5,4); exatamente o que a Carta aos Efésios diz de Cristo: “Ele é a nossa paz” (Ef 2, 14). “O Natal do Senhor”, diz São Leão Magno, “é o natal da paz”[3].

 

3. A paz, fruto da cruz de Cristo

Coloquemos agora uma pergunta mais precisa. Foi com a sua simples vinda à terra que Jesus restaurou a paz entre o céu e a terra? É realmente o nascimento de Cristo “o natal da paz” ou é também, e acima de tudo, a sua morte? A resposta se encontra na palavra de Paulo da qual partimos: “Sendo, pois, justificados pela fé, estamos em paz com Deus por meio de Jesus Cristo, nosso Senhor” (Rm 5,1). A paz vem da justificação pela fé e a justificação vem do sacrifício de Cristo na cruz (cf. Rm 3, 21-26)!

Além disso, a paz é o próprio conteúdo da justificação. Esta não consiste apenas na remissão (ou, de acordo com Lutero, na não imputação) dos pecados, isto é, em algo puramente negativo, um “remover” algo que havia; ela envolve também e acima de tudo um elemento positivo, uma colocação de algo que não havia: o Espírito Santo e, com Ele, a graça e a paz.

Uma coisa é clara: não se entende a mudança radical ocorrida no relacionamento com Deus se não se entende o que aconteceu na morte de Cristo. Oriente e Ocidente são unânimes em descrever a situação da humanidade antes de Cristo e fora de Cristo. Por um lado, havia os homens que, pecando, tinham contraído com Deus uma dívida e precisavam lutar contra o demônio que os mantinha escravos: situações, estas, que eles não podiam resolver, sendo a dívida infinita e eles prisioneiros de Satanás, de quem tinham de se livrar. Por outro lado, Deus podia expiar o pecado e vencer Satanás, mas não devia fazê-lo, não era obrigado a fazê-lo, já que não era Ele o devedor. Tinha de ser alguém que unificasse em si mesmo o combatente e o capaz de vencer: é o caso de Cristo, Deus e homem. Assim se expressam, com termos muito parecidos, Nicolau Cabasilas, entre os gregos, e Santo Anselmo de Aosta, entre os latinos[4].

A morte de Jesus na cruz é o momento em que o Redentor cumpre a obra da redenção, destruindo o pecado e derrotando Satanás. Como homem, aquilo que Ele realiza nos pertence: “Cristo Jesus foi feito por Deus, para nós, sabedoria, justiça, santificação e redenção” (1 Cor 1, 30); para nós! Por outro lado, como Deus, o que Ele realiza tem valor infinito e pode salvar “todos aqueles que recorrem a Ele” (Hb 7,25).

Em tempos recentes, tem-se repensado profundamente no sentido do sacrifício de Cristo. Em 1972, o pensador francês René Girard lançou a tese que considerava que “a violência é o coração e a alma secreta do sagrado”[5]. Na origem, de fato, e no centro de toda religião, incluída a hebraica, está o sacrifício, o rito do bode expiatório que sempre envolve destruição e morte. Já antes dessa data, porém, aquele estudioso tinha se reaproximado do cristianismo e, na Páscoa de 1959, tinha tornado pública a sua “conversão”, declarando-se crente e retornando à Igreja.

Isto lhe permitiu não ficar apenas, em seus estudos posteriores, na análise do mecanismo da violência, mas salientar também a forma de sair dele. A seu ver, Jesus desmascara e despedaça o mecanismo que sacraliza a violência tornando-se o voluntário “bode expiatório” da humanidade, a vítima inocente de toda a violência. Cristo, já dizia a Carta aos Hebreus (Hb 9, 11-14), não veio com o sangue dos outros, mas com o próprio. Não fez vítimas, mas fez-se vítima. Não colocou os seus pecados sobre os ombros dos outros, homens ou animais; colocou, sim, os pecados dos outros sobre os próprios ombros: “Ele tomou sobre si os nossos pecados no madeiro da cruz” (1 Pd 2, 24).

Pode-se então continuar falando sobre o “sacrifício” da cruz e, por conseguinte, da missa como sacrifício? Durante muito tempo, o estudioso mencionado rejeitou este conceito, considerando-o marcado demais pela ideia de violência, mas, depois, com toda a tradição cristã, acabou admitindo a sua legitimidade, desde que, afirma ele, se veja no de Cristo um novo tipo de sacrifício e se perceba nesta mudança de significado “o fato central da história religiosa da humanidade”[6].

Tudo isto nos permite entender melhor em que sentido aconteceu na cruz a reconciliação entre Deus e os homens. Em geral, o sacrifício de expiação servia para aplacar um Deus enfurecido com o pecado. O homem, oferecendo a Deus um sacrifício, pede à divindade a reconciliação e o perdão. No sacrifício de Cristo, a perspectiva é invertida. Não é o homem quem exerce uma influência sobre Deus para que Ele se aplaque. Antes, é Deus quem age para que o homem desista da própria inimizade com Ele. “A salvação não começa com o pedido de reconciliação do homem, mas com o pedido de Deus de nos reconciliarmos com Ele”[7]. Neste sentido, entende-se a afirmação do Apóstolo: “É Deus quem reconciliou consigo o mundo em Cristo” (cf. 2 Cor 5, 19), e ainda: “Sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho” (Rm 5,10).

 

4. “Recebei o Espírito Santo!”

A paz que Cristo nos mereceu com a sua morte na cruz se torna ativa e operante em nós mediante o Espírito Santo. Por isto, no cenáculo, depois de ter dito aos apóstolos “Paz a vós”, Ele soprou sobre eles e acrescentou, como de um só fôlego: “Recebei o Espírito Santo!” (Jo 20, 22).

Em realidade, a paz vem, sim, da cruz de Cristo, mas não nasce dela. Nasce de mais longe. Na cruz, Jesus destruiu o muro do pecado e da inimizade que impedia a paz de Deus de se difundir entre os homens. A fonte suprema da paz é a Trindade. “Ó Trindade beata, oceano de paz!”, exclama a liturgia em um dos seus hinos. Segundo Dionísio Areopagita, “Paz” é um dos nomes próprios de Deus[8]. Ele é paz em si mesmo, como é também amor e luz.

Quase todas as religiões politeístas falam de divindades em permanente estado de rivalidade e de guerra entre si. A mitologia grega é o exemplo mais conhecido. A rigor, não se pode falar de Deus como fonte e modelo de paz, nem mesmo no contexto de um monoteísmo absoluto e numérico. A paz, assim como o amor, não pode existir a não ser entre duas pessoas. Ela consiste em relações de beleza, em relações de amor, e a Santíssima Trindade é precisamente essa beleza e perfeição de relações. O mais impressionante, quando contemplamos o ícone da Trindade de Rublev, é a sensação de paz sobre-humana que emana dele.

Quando Jesus diz “shalom” e “Recebei o Espírito Santo”, Ele comunica aos discípulos algo da “paz de Deus que excede todo entendimento” (Fl 4,7). Neste sentido, a paz é quase um sinônimo de graça e, de fato, os dois termos são usados em conjunto, como uma espécie de binômio, no início das cartas apostólicas: “Graça e paz a vós da parte de Deus e de nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 1, 7; 1 Tes 1, 1). Quando se proclama na missa “A paz esteja convosco”, “Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, dai-nos a paz” e, no final, “Ide em paz”, é desta paz, como dom de Deus, que se está falando.


5. “Reconciliai-vos com Deus!”

Gostaria de destacar agora como este dom da paz, recebido ontologicamente e de direito por meio do batismo, deve mudar pouco a pouco, também de fato e psicologicamente, a nossa relação com Deus. O premente apelo de Paulo, “Suplicamo-vos em nome de Cristo: deixai-vos reconciliar com Deus” (2 Cor 5, 20), é dirigido aos cristãos batizados que vivem há tempos na comunidade. Não se refere, portanto, à primeira reconciliação, nem, evidentemente, ao que chamamos de “sacramento da reconciliação”. Neste sentido atual e existencial, ele é dirigido também a cada um de nós, que tentamos entender em que ele consiste.

Uma das razões, talvez a principal, da alienação da religião e da fé por parte do homem moderno é a imagem distorcida que ele tem de Deus. Esta é também a causa de um cristianismo apagado, sem impulso e sem alegria, vivido mais como um dever do que como um presente. Eu penso no quanto era grandiosa a imagem de Deus Pai na Capela Sistina quando a vi pela primeira vez, toda recoberta por uma pátina escura, e como é agora, após a restauração, com as cores vivazes e os contornos nítidos com que tinha saído do pincel de Michelangelo. Uma restauração mais urgente da imagem de Deus Pai deve acontecer no coração dos homens, incluídos nós, os crentes.

Qual é a imagem “predefinida” de Deus (na linguagem dos computadores, de funcionar como um padrão) no inconsciente coletivo humano? Basta, para descobrirmos, perguntar a nós mesmos e aos outros: “Que ideias, que palavras, que realidades surgem espontaneamente em mim, antes de qualquer reflexão, quando digo ‘Pai nosso, que estais no céu... Seja feita a vossa vontade’”? Inconscientemente, associamos a vontade de Deus a tudo o que é desagradável, doloroso, àquilo que, de uma forma ou de outra, pode ser visto como uma mutilação da liberdade e do desenvolvimento individual. É como se Deus, de certa forma, fosse o inimigo de toda festa, alegria, prazer.

Outra pergunta reveladora: o que é que sugere para nós a invocação “Kyrie eleison”, “Senhor, tende piedade de nós”, que pontua a oração cristã e, em algumas liturgias, acompanha a missa do início ao fim? Ela acabou se tornando apenas o pedido de perdão da criatura que vê Deus sempre no processo (e no direito) de puni-la. A palavra “piedade” foi tão aviltada a ponto de ser usada frequentemente em sentido negativo, como algo mesquinho e desprezível: “causar piedade” como sinônimo de “dar pena”, “causar vergonha alheia”. De acordo com a Bíblia, “Kyrie eleison” deve ser traduzido como “Senhor, cobri-nos com a vossa ternura!”. Basta ler como Deus fala do seu povo em Jeremias: “Meu coração se comove com ele e sinto por ele uma profunda ternura\" (eleos) (Jr 31, 20). Quando os doentes, os leprosos e os cegos gritam para Jesus, como em Mateus 9, 27, “Senhor, tem piedade (eleeson) de mim!”, eles não querem dizer “Perdoa-me”, e sim “Tem compaixão de mim”.

Deus é visto, geralmente, como o Ser Supremo, o Todo-Poderoso, o Senhor do tempo e da história, ou seja, como uma entidade que se impõe ao indivíduo a partir de fora; nenhum detalhe da vida humana lhe escapa. A transgressão da sua lei introduz inexoravelmente uma desordem que exige reparação. Não podendo, esta reparação, ser jamais considerada adequada, surge a angústia da morte e do julgamento divino.

Eu confesso que quase estremeço ao ler as palavras que o grande Bossuet dirige a Jesus na cruz, num discurso da Sexta-Feira Santa: “Lanças-te, Jesus, nos braços do Pai, e te sentes rejeitado; sentes que é Ele próprio quem te persegue, quem te golpeia, quem te abandona; que é Ele próprio que te esmaga sob o peso enorme e insuportável da sua vingança... A cólera de um Deus enfurecido: Jesus reza e o Pai, irado, não o escuta; é a justiça de um Deus vingador perante as ofensas recebidas; Jesus sofre e o Pai não se aplaca!”[9]. Se assim falava um orador do alto nível de Bossuet, podemos imaginar a que tipo de coisa se abandonavam os pregadores populares daquele tempo. Entende-se, assim, como foi se formando aquela imagem “predefinida” de Deus no coração do homem.

É claro que nunca se ignorou a misericórdia de Deus! Mas a ela foi confiada apenas a tarefa de moderar os irrenunciáveis rigores da justiça. Aliás, na prática, fez-se com que o amor e o perdão de Deus dependessem do amor e do perdão que damos ao próximo: se perdoarmos a quem nos ofendeu, então Deus poderá, por sua vez, nos perdoar também. Criou-se com Deus um relacionamento de barganha. Não se diz que é preciso acumular méritos para ganhar o Paraíso? E não se atribui grande importância aos esforços a ser feitos, às missas a mandar rezar, às velas a ser acesas, às novenas a realizar?

Tudo isso, que permitiu no passado a muita gente demonstrar a Deus o próprio amor, não pode ser jogado fora: deve ser respeitado. Deus faz desabrocharem as suas flores – e os seus santos – em qualquer clima. Não há como negar, porém, o risco de se cair numa religião utilitária, no “do ut des”, “dou para que dês”. Por trás de tudo está o pressuposto de que a relação com Deus depende do homem. Ele não pode se apresentar diante de Deus de mãos vazias: deve ter sempre algo a lhe dar. E é verdade que Deus diz a Moisés: “Ninguém se apresentará diante de mim com as mãos vazias” (Ex 23,15; 34, 20), mas este é o Deus da lei, não ainda o Deus da graça. No reino da graça, o homem deve se apresentar diante de Deus justamente “de mãos vazias”; a única coisa que ele precisa trazer “nas mãos”, ao se apresentar a Ele, é o seu Filho Jesus.

Vejamos como o Espírito Santo, quando nos abrimos a Ele, transforma esta situação. Ele nos ensina a olhar para Deus com olhos novos: como o Deus da lei, é claro, mas, ainda mais, como o Deus do amor e da graça, como o Deus “misericordioso e compassivo; lento à ira e grande no amor” (Ex 34, 6). Ele nos revela Deus como um aliado e amigo, como quem “não poupou o próprio Filho, mas o entregou por todos nós” (é assim que deve ser entendida a passagem de Rm 8, 32!); em suma, como um Pai de imensa ternura. Aflora então o sentimento filial que se traduz espontaneamente no grito: “Abba, Pai!”. Como quem diz: “Eu não te conhecia, ou só te conhecia por ouvir dizer; agora te conheço, sei quem és; sei que me amas de verdade e que me és propício”. O filho tomou o lugar do escravo; o amor, o lugar do medo. É assim que se chega verdadeiramente à reconciliação com Deus, inclusive no âmbito subjetivo e existencial.

Repitamos nós também, de tanto em tanto, com a íntima alegria e a jubilosa certeza do Apóstolo: “Justificados pela fé, estamos em paz com Deus!”.

 

[1] E. R. Dodds, Pagani e cristiani in un\'epoca di angoscia. Aspetti dell\'esperienza religiosa da Marco Aurelio a Costantino, Florença, La Nuova Italia 1993.

[2] Hino de louvor do III domingo do tempo comum.

[3] São Leão Magno, In Nativitate Domini, XXXVI, 5 (PL 54, 215).

[4] N. Cabasilas, Vita in Cristo, I, 5 (PG 150, 313); Cf. Anselmo, Cur Deus homo?, II, 18.20; Tomás de Aquino, Summa theologiae, III, q. 46, art. 1, ad 3.

[5] Cf. R. Girard, La violence et le sacré, Grasset, Paris 1972.

[6] Cf. R. Girard, Il sacrificio, Milão 2004.

[7] G. Theissen - A. Merz; Il Gesú storico, Queriniana, Brescia 2003, pág. 573.

[8] Pseudo-Dionísio Areopagita, Nomes divinos, XI, 1 s (PG 3, 948 s).

[9] J.B. Bossuet, Œuvres complètes, IV, Paris 1836, pág. 365.